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jun 23, 2021 271 Dina Mananquil Delfino
ENVOLVA-SE

PANDEMIA: B?N??O OU MALDI??O?

Reminisc?ncia

“Voc? tocou meu caf?!”, o cliente gritou com a jovem barista, que come?ou a derramar l?grimas enquanto impotente tentava oferecer um novo copo para a mulher irritada. Percebemos que ela n?o era da cidade, e os patr?es logo defenderam a jovem funcion?ria. “Se voc? est? t?o preocupada com a contamina??o, voc? nem deveria sair de casa! “, gritou o patr?o.? “Fique em casa!”, outro acrescentou.

Como membro de pastoral, ofereci-lhe uma palavra de conforto. Enquanto ela se desculpava entre solu?os, lembrei-a que o ambiente atual estava deixando todos tensos, que ela n?o deveria levar para o lado pessoal e n?o deixar isso arruinar seu dia. Alguns minutos depois, tive que seguir meu pr?prio conselho. Quando, acidentalmente, ultrapassei a marca de 1,5 metros no supermercado, um senhor reclamou comigo: “Fique no seu lugar!”, dando-me uma cutucada no bra?o para refor?ar sua reclama??o.? Quando levei minha neta para fazer um exerc?cio f?sico muito necess?rio, ela foi repreendida por um transeunte, gritando “1,5 metros!”, furioso. Uau!!!

Estes s?o apenas alguns incidentes do que poderiam ser casualidades ocultas da pandemia Covid-19. O medo e a ansiedade que penetraram, drenaram o amor, a alegria e a graciosidade da vida. Quase ningu?m sorri. ?Cabisbaixos, olhos, alarmantemente, vigilantes, mas espa?ados, a linguagem corporal, claramente, sinaliza: ?Fique longe de mim”. Isso ?, facilmente, compreens?vel quando enfrentamos um inimigo perigoso e invis?vel e n?o sabemos quem sobreviver? antes que a pandemia termine. Milhares de vidas e a subsist?ncia afetada. O distanciamento social e o auto isolamento tornaram-se o escudo t?o necess?rio contra este v?rus novo e desconhecido.

V?timas ocultas e n?o ocultas

Todos n?s fomos afetados por isso. A tristeza, pela perda de entes queridos, incluindo os nossos dedicados her?is profissionais de sa?de da linha de frente, ? esmagadora e inacredit?vel. A tristeza, por qualquer causa, torna-se avassaladora quando os enlutados s?o incapazes de receber o conforto de amigos e familiares. ?Meu cora??o se parte por eles e eu s? posso orar por suas almas e pelo conforto das suas fam?lias. As autoridades governamentais e de sa?de fizeram de tudo para impor o que sabiam ser as melhores medidas para control?-lo e evit?-lo. Muitos deles consideram a pandemia como uma guerra. E houve de fato baixas. Todas as na??es ca?ram de joelhos.

Mas qual foi o seu impacto em mim, pessoalmente? Quando o bloqueio e a paralisa??o foram impostos, olhei para os projetos nos quais eu deveria estar trabalhando. Naquele momento, eles pareciam irrelevantes. Decidi coloc?-los na garagem, sabendo que n?o seria capaz de trabalhar neles agora. Minha perspectiva, rapidamente, mudou do futuro para apenas viver a vida a cada momento e nada ? t?o importante quanto ? sa?de e ? seguran?a. Quando tive que visitar o m?dico por um problema de sa?de, implorei ao Senhor que me poupasse de precisar de cuidados hospitalares, pois temia o ambiente l?.

Eu me tornei mais reflexivo e examinei o que em minha vida precisava mudar. Todos os dias, eu rezo de joelhos pedindo ajuda ao Senhor. A cada hora, come?o a rezar meu Salmo favorito, o 91, pedindo para que Deus proteja a todos, e rezo: ?”Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tenha miseric?rdia de mim, um pecador”.

B?n??os disfar?adas

Eu costumo ficar animada com projetos futuros, mas com o Covid-19, o futuro ficou desfocado. O desconhecido tornou-se minha realidade di?ria.? Como eu estava acostumada com uma vida muito ocupada, eu precisava encontrar atividades para me ajudar a lidar com isso na pandemia. Eu cozinho mais para a fam?lia. Desde que minha filha e meu genro passaram a trabalhar em casa, eu assumi deveres substanciais na cozinha.? A vida familiar se tornou nosso fundamento. As primeiras semanas, ficar em casa 24 horas por dia, 7 dias por semana, foram dif?ceis, mas as coisas melhoraram ? medida que foi dada maior import?ncia para a solidariedade familiar e passamos a nos apreciar mais. Cada um de n?s contribuiu mais para os deveres dom?sticos.

A lavanderia di?ria se transformou em um consolo. Um suave zunindo ? o som de normalidade. Ter tempo suficiente para limpar arm?rios e arrumar a casa me deu um prop?sito. Dormir se tornou uma fuga no in?cio, mas depois tamb?m percebi o qu?o exausto meu corpo estava ao longo dos anos e acolhi o descanso e a desacelera??o. Meu banho da manh? mudou-se para um ritual da tarde. Eu corria para as lojas para comprar itens essenciais pela manh?, enquanto havia estoque dispon?vel. Simplicidade tornou-se uma norma: sem maquiagem, sem perfume, apenas meu ?eu desfeito?.

Pequenos milagres acontecem. Quando eu estava desesperada por papel higi?nico, len?os umedecidos e sprays desinfetantes e nenhum foi encontrado nas prateleiras, acabei encontrando alguns que foram deixados em um carrinho abandonado!

Onde est? Deus?

Relatos de algumas partes do mundo revelam que a natureza est? tendo um descanso para recupera??o ? medida que a polui??o foi reduzida, e o c?u, oceanos e florestas revivem. O fechamento de nossas igrejas durante a Quaresma e a P?scoa foi, particularmente, dif?cil, e eu me pergunto que mensagem o Senhor est? nos revelando. Onde est? Deus em tudo isso? Muitas pessoas perguntam. Mensagens espirituais s?o abundantes. A maioria delas ? encorajadora, afirmando que Deus n?o ? a fonte disso, pois Ele n?o conhece o mal, mas Ele est? viajando conosco nesta jornada dolorosa, assim como fez quando Ele sofreu aqui na terra conosco e Sua Ressurrei??o nos d? esperan?a de que vamos suportar esta prova??o.

Nosso grupo de ora??o que tem se reunido, semanalmente, nos ?ltimos 22 anos n?o foi desencorajado pelo confinamento. Liderados pelo Esp?rito Santo, realizamos nossa reuni?o de ora??o e companheirismo espiritual por confer?ncia telef?nica todas as sextas-feiras e reunimos mensagens prof?ticas e exorta??es para lidarmos com esses tempos dif?ceis.

Ao abra?ar o uso da tecnologia, continuamos conectados aos nossos sacerdotes, que continuam a celebrar a Missa para n?s. A b?n??o disso foi que muitas pessoas que n?o participavam da Missa, anteriormente, juntaram ?se a n?s, em sintonia com encontros e com ensinamentos da Igreja, abrindo assim o caminho para uma mais profunda e interior compreens?o da F?. Nunca mais terei como certo o presente da Eucaristia. ? o jejum mais profundo que j? experimentei.

Recentemente, recebi uma liga??o de uma amiga que est? com uma doen?a grave, a qualquer momento, ela poder? morrer por problemas card?acos e renais. Quando ela saiu do hospital depois de outra s?rie de complica??es, ela me disse que sua perspectiva era de um dia de cada vez. Eu refleti que estamos todos no mesmo barco.

Covid-19 nos ensinou uma li??o importante: valorizar cada momento e ser cheio de gratid?o a Deus, desde o instante em que acordamos e durante todo o dia. Palavras e atos de amor precisam ser falados e realizados agora, aqui e n?o amanh?.

J? agradecemos, verdadeiramente, a algu?m que nos serviu hoje?

?Novas todas as manh?s ? o seu amor, grande Deus da luz, e durante todo o dia o Senhor est? trabalhando para o bem no mundo. Realize-se em n?s o desejo de servi-Lo, de viver pacificamente com nossos vizinhos e com toda a Sua Cria??o, e dedicar todos os dias ao seu Filho, nosso Salvador Jesus Cristo.” Am?m.

? Trecho de “Upper Room Worship” Uma Liturgia para Ora??o da Manh?.

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Dina Mananquil Delfino

Dina Mananquil Delfino is a counsellor, community worker, pre-marriage facilitator and Pastoral Associate of St Michael?s Parish, Berwick. She lives in Pakenham, Victoria with her family.

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