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set 01, 2021 142 Mary Therese Emmons, USA
ENVOLVA-SE

NOSSA M?E

Minha m?e deveria estar descansando pacificamente, sem dor, em uma cama de hospital; mas seus ?ltimos dias refletiram como ela viveu toda a sua vida.

Foi o ?ltimo dia do meu m?s mais amado, outubro. Eu estava vestindo apressadamente meus filhos pequenos para uma noite na casa dos meus pais. Minha m?e tinha sido diagnosticada com c?ncer no ano anterior, e seu tempo na Terra estava chegando ao fim. A enfermeira tinha certeza que minha m?e tinha apenas mais alguns dias de vida.

Esta not?cia era imposs?vel de compreender. Tr?s dias antes, eu tinha testemunhado seu alerta e atividades como sempre – reparando ros?rios quebrados e fazendo o jantar para o meu pai. Era a minha m?e. Ela era um exemplo maravilhoso de altru?smo e amor. Todos que a conheciam a chamavam de santa viva. Por seu belo exemplo, ela nos ensinou a todos como carregar nossas cruzes com confian?a e esperan?a. Por causa de uma vida bem vivida, minha m?e n?o tinha medo de morrer. Sua pr?tica da F?, dedica??o ? Santa Missa e ao Ros?rio de Nossa Senhora foram inspiradores. Santa Teresa de Calcut? uma vez declarou: “Uma vida n?o vivida para os outros n?o ? uma vida.” E minha querida m?e realmente viveu essas palavras.

Correndo para a casa dos meus pais naquela noite, fui para o quarto pequeno e escuro da minha m?e. Eu a encontrei deitada na cama, aparentando estar dormindo e cercada pelos meus irm?os. Pegando minha m?o, minha irm? explicou que algumas horas antes, minha m?e tinha ido se deitar porque ela n?o estava se sentindo bem e tinha entrado em um estado de coma. Ela n?o conseguia mais se comunicar. Ela tinha passado o dia preparando comida para a reuni?o da fam?lia naquela noite, quando ela deveria estar descansando pacificamente, sem dor, em uma cama de hospital. Seus ?ltimos dias, suas a??es finais, foram exatamente como ela viveu toda a sua vida – esvaziando-se no cuidado com os outros. Ela era um exemplo vivo de auto-sacrif?cio.

Minha m?e nunca reclamou da dor debilitante e implac?vel, nem reclamou do tratamento de c?ncer, ou mesmo do fato de que lhe foi dada essa tremenda cruz. Minha m?e, com a f? e a gra?a que viveu a vida inteira, aceitou tudo sem questionar ? oferecendo com prazer esta cruz a Deus.

Durante doze horas cont?nuas, fiquei ao lado da minha m?e ? incapaz de deix?-la em seu tempo de sofrimento. Minha m?e n?o queria morrer em um hospital, e eu n?o podia deixar de pensar o qu?o misericordioso o Pai Eterno ? ao permitir que ela falecesse pacificamente, em sua pr?pria casa, cercada por seu marido e todos os dez filhos. Enquanto as horas da morte de minha m?e se arrastavam lentamente, rezamos o Ros?rio uma ?ltima vez juntos como uma fam?lia, assim como faz?amos quando crian?as. N?s assistimos com olhos lacrimejantes enquanto nosso p?roco lhe dava a Un??o dos Enfermos pela ?ltima vez. Revezamos-nos sentados ao lado de sua cama, agradecendo-lhe por ser um exemplo perfeito para n?s em realmente viver sua f? com absoluta confian?a no plano de Deus. Todos sab?amos que, embora minha m?e aceitasse esta cruz e estivesse pronta para entrar nos Port?es Celestiais, seu cora??o estava doendo com a dor que suportar?amos com sua morte. No entanto, ap?s seu diagn?stico, ela nos garantiu confiantemente que seria mais ?til para n?s no C?u do que jamais poderia ser na Terra ? e eu nunca duvidei disso.

Completamente incapazes de nos comunicar, meus irm?os e eu notamos que nossa m?e moveria os dedos t?o ligeiramente na frente da boca ? como se gentilmente batesse nos meus irm?os quando eles tentavam administrar a medica??o para dor. Foi um gesto inconfund?vel de minha m?e. Olhando um para o outro com l?grimas nos olhos, finalmente falamos em voz alta o que todos est?vamos pensando. Ela quer sofrer e est? oferecendo isso por n?s.

A noite lentamente se transformou em dia, e enquanto todos n?s lutamos para ficar acordados, notamos que a respira??o da minha m?e mudou ligeiramente. Reunindo-se ao redor dela na pequena cama onde ela estava, n?s nos despedimos, prometendo-lhe que cuidar?amos um do outro aqui na terra, para que ela pudesse ir para casa, para o C?u pacificamente, onde seu querido pai e netos que foram levados muito cedo, estavam esperando por ela. Eu assisti com o cora??o pesado enquanto ela dava seu ?ltimo suspiro. Todos n?s doze, enchendo o quarto pequeno e apertado, ficamos em sil?ncio. Eu silenciosamente sussurrei: “Nossa m?e j? viu o rosto de Deus”. Naquele momento, parei de rezar pela minha m?e e comecei a orar para ela. Era o Dia de Todos os Santos. Que acolhimento ela deve ter tido!

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Mary Therese Emmons

Mary Therese Emmons is a busy mother of four teenagers. She has spent more than 25 years as a catechist at her local parish, teaching the Catholic faith to young children. She lives with her family in Montana, USA.

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